Brasil: a ditadura envergonhada

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Há 34 anos, a morte do jornalista Vladimir Herzog em um quartel do exército em São Paulo escancarou para o Brasil os porões da ditadura militar. Causou a mobilização inédita da sociedade contra a tortura, encurralou o governo geisel e acelerou o processo de abertura política


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Vladimir acordou mais cedo que de costume no sábado, 25 de outubro de 1975. Fez a barba, tomou banho e se despediu da mulher Clarice, ainda na cama, com um beijo. Ela quis se levantar e preparar o café, ele disse para não se preocupar, que no caminho pararia em um bar e tomaria café com leite. Vlado chegou ao número 1 030 da rua Tomás Carvalhal, no bairro do Paraíso, em São Paulo, perto das 9h. No prédio de muros altos guardados por sentinelas armados, onde funcionava o Destacamento de Operações Internas - Comando Operacional de Informações do 2º Exército, o DOI-CODI, Vlado entrou pela porta da frente. Disse ao atendente seu nome completo, sua profissão e o número de seu RG. Informou que na noite anterior, por volta das 21h30, dois homens que se identificaram como agentes de segurança do Exército o tinham procurado na TV Cultura, onde trabalhava, e que, para não ser detido, se comprometera a se apresentar ali no dia seguinte. E assim o fizera. Depois disso se pôs a esperar, sentado em um dos bancos de madeira que margeavam o largo corredor que levava a uma porta fechada de aço e vidro. Minutos depois, quando foi levado para interrogatório, ele permanecia tranqüilo.

O Brasil de 1975 não parecia ser um lugar em que um jornalista com emprego fixo e endereço conhecido, casado e pai de dois filhos, devesse se preocupar com a própria segurança. Mas era. Em março de 1974, o general Ernesto Geisel assumira a presidência com a promessa de promover a abertura do regime ditatorial. A palavra usada na época era “distensão” e significava aliviar a censura, investigar denúncias de tortura e aumentar a participação da sociedade civil na política. A ditadura light de Geisel, porém, encontrou duas contrariedades. Primeiro a derrota do partido do governo, a Arena, nas eleições para a Câmara e o Senado. Em novembro, o oposicionista MDB fizera 16 dos 22 senadores e 160 das 364 cadeiras da Câmara. Depois, o impacto da crise do petróleo, que colocava fim aos anos do milagre, quando a economia brasileira cresceu mais de 5% ao ano.

Nos bastidores da política dominada pelos quartéis, esse cenário despertou o medo da chamada linha dura do regime. Gente que via qualquer oposição como subversão e que combatia qualquer subversão com violência, tortura e assassinato. Gente que se apoiava no CIE – Centro de Inteligência do Exército – e encontrava nos DOIs espalhados pelo país guarida para atividades ilegais e violentas. Gente que preferia o inferno à “distensão” e ao que ela representava. Em menor ou maior grau, essa gente viveu nos porões da ditadura e, dependendo da ocasião e do apoio oportunista de políticos e militares às suas práticas, teve menor ou maior influência sobre o governo. Foi maior entre 1969 e 1973, depois da publicação do AI-5, quando o combate ao terrorismo e focos de guerrilha os alçaram à linha de frente do regime. Foi menor em 1974, quando Geisel assumiu. Entre outubro de 1969 e dezembro de 1973, 2 mil pessoas passaram pelo DOI-CODI em São Paulo: 502 reclamaram de tortura e pelo menos 40 foram assassinadas. Em 1974, apenas uma foi presa.

Em 1975, porém, a repressão estava de volta. “Sem terroristas para caçar e com o guerrilha do Araguaia devolvida ao silêncio da floresta, o Centro de Informações do Exército avançou contra o Partido Comunista”, diz o jornalista Elio Gaspari, autor de A Ditadura Encurralada. Em 13 de janeiro o CIE invadiu a gráfica da Voz Operária, o jornal do partido, que operava na clandestinidade, num sítio no Rio de Janeiro. No dia seguinte, Elson Costa, um dos responsáveis pela gráfica e dirigente do PCB, desapareceu. Foi morto numa casa mantida pelo CIE na periferia de São Paulo, segundo testemunho do sargento Marival Chaves Dias do Canto à revista Veja, em 1992. Entre janeiro e julho, pelo menos 500 membros do partido foram identificados, 200 foram presos e pelo menos 14 morreram. Em outubro, nova onda de prisões: 61 pessoas foram detidas. A intenção era demonstrar a tese do CIE de que o PCB havia se infiltrado no MDB, na imprensa e até no governo. Essa última acusação era, inclusive, foco das desavenças entre o comandante do 2º Exército, o general Ednardo D’Avila Mello, e o governador do Estado, Paulo Egydio Martins.

Aos 38 anos, Herzog assumira, em setembro, a diretoria de jornalismo da Cultura, emissora do governo. Era militante comunista, mas não desenvolvia atividade clandestina e sua participação se limitava a ir a reuniões. Em sua direção, porém, confluíam três crises, todas regadas de ódio. “Uma era o choque da linha dura com Geisel. Outra, a caçada ao PCB. A terceira era o conflito entre o general Ednardo e o governador Paulo Egydio. A prisão de Vlado servia a todas”, diz Gaspari.

Tortura e morte

Antes de ser preso, em 17 de outubro, Paulo Markun, também jornalista da Cultura, conseguiu mandar um recado aos colegas, indicando quem seriam os próximos. Anthony de Cristo, George Duque Estrada e Rodolfo Konder foram presos antes de serem alertados. Fernando Morais conseguiu escapar. Vladimir foi avisado, mas não quis fugir.

Depois que entrou no DOI, Vlado trocou de roupa e vestiu o macacão dos presos. Ainda pela manhã, foi acareado com dois presos. Com as cabeças cobertas por capuzes de feltro preto, eles não podiam se ver. Mas um deles, Konder, reconheceu o amigo: “Empurrei a borda do pano e vi o preso que chegava. Eu o reconheci pelos sapatos: eram os mocassins pretos que Vlado usava.” Nessa hora, Vlado negou que pertencesse ao PCB e Konder e o outro preso foram retirados para um corredor, de onde ouviram os gritos de Vlado e a ordem para que fosse trazida a máquina de choques elétricos. “Os gritos duraram até o fim da manhã. Os choques eram tão violentos que faziam Vlado urrar de dor”, diz Konder. Um rádio foi ligado em alto volume para abafar os sons. Meia hora depois, por volta das 11h, Vlado foi para a sala de interrogatórios.

“Mais ou menos uma hora depois, me levaram a outra sala onde pude retirar o capuz e ver o Vlado. O interrogador, um homem de uns 35 anos, magro, musculoso, com uma tatuagem de âncora no braço, mandou que eu dissesse a ele que não adiantava resistir”, lembra Konder. Vlado estava com o capuz enfiado na cabeça, trêmulo, abatido, nervoso. Sua voz estava por um fio. “Fui obrigado a ajudá-lo a redigir uma confissão que dizia que ele tinha sido aliciado por mim para entrar no PCB e listava outras pessoas que integrariam o partido.” Konder foi levado e os gritos recomeçaram. Essa foi a última vez que Vlado foi visto e ouvido. “No meio da tarde, fez-se silêncio na carceragem”, diz George Duque Estrada que também estava preso no DOI, em relato no livro Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte, de Fernando Pacheco Jordão.

Às 22h08 a Agência Central do SNI, em Brasília, recebeu uma mensagem: “Info que hoje, dia 25 out, cerca de 15 hs, o jornalista Vladimir Herzog suicidou-se no DOI/CODI/II Exército”. Seria o 38º suicida, o 18º a se enforcar e, de acordo com o Laudo de Encontro de Cadáver, emitido pela Polícia Técnica de São Paulo, teria feito isso com uma tira de pano. Herzog teria se amarrado pelo pescoço numa grade a 1,63 metro do chão. Sem espaço para que seu corpo pendesse, teria ficado com os pés no chão e as pernas curvadas, como mostrava a foto anexada ao laudo. Segundo comunicado do comandante do DOI, a tira de pano era a “cinta do macacão que o preso usava”. Os macacões do DOI não tinham cinto. “Suicídios desse tipo são possíveis, porém raros. No porão da ditadura, tornaram-se comuns, maioria até. O último, em São Paulo, acontecera cerca de um mês antes, na mesma cela. Dos 17 casos anteriores de suicídio por enforcamento, oito não tiveram vão livre. Em dois, os presos teriam morrido sentados”, diz Gaspari.

O morto fala

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Geisel

Sem notícias do marido desde a manhã, Clarice estava preocupada. Por volta das 23h bateu à sua porta um grupo de diretores e funcionários da Cultura. Entraram calados, sentaram-se na sala e disseram-lhe que as coisas se complicaram. “Mataram o Vlado!”, ela teria dito, segundo seu relato no livro Vlado, de Paulo Markun. “Eles me falaram que Vlado estava morto e que fora suicídio. Senti ódio. E uma grande impotência.”

“Eles mataram o Vlado”, disse o amigo e jornalista Fernando Pacheco Jordão, autor de Dossiê Herzog, em telefonema para Audálio Dantas, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Era quase 1 da manhã e Jordão ainda daria muitos telefonemas na madrugada. “Mataram o Vlado”, repetiu a dom Paulo Evaristo Arns. “Não sei se já não é hora de um protesto mais forte. Quem sabe sair pelas ruas”, respondeu o cardeal.

O jornalista Mino Carta, na época diretor da revista Veja, foi um dos primeiros a chegar à casa dos Herzog. Ele vinha de Santos, onde estivera justamente para pedir a ajuda do secretário de Segurança do Estado, Erasmo Dias, no caso das prisões dos colegas. Segundo depoimento a Paulo Markun, no livro Vlado, Mino ligou para o coronel Golbery do Couto e Silva, ministro da Casa Civil. “Vá ao Paulo Egydio”, teria dito o “feiticeiro”, como era conhecido por sua intimidade quase mágica com o poder. Golbery lhe disse, ainda, que aquilo, a morte de Vlado, era uma tentativa de golpe contra Geisel. Mino seguiu o conselho e procurou o governador Paulo Egydio, no Palácio dos Bandeirantes. Quando saiu, o governador chorava.

Desde a morte do ex-deputado Rubens Paiva, num quartel da Polícia do Exército no Rio, em 1971, era a primeira vez que morria no porão da ditadura alguém da elite, com vida profissional legal e atividade política praticamente nula. “Horas depois da morte de Herzog começou um daqueles processos em que reações individuais e desarticuladas desembocam em comportamentos que, sem coordenação ou planejamento, constroem os fatos históricos”, diz Gaspari.

Mas o DOI tinha sua própria estratégia para lidar com o assunto. O corpo de Herzog foi entregue à Polícia Técnica e levado ao Instituto Médico Legal, onde chegou sem a roupa com que fora fotografado, mas com os próprios trajes. O laudo do exame de corpo de delito, assinado pelos médicos Harry Shibata e Arildo de Toledo Viana, do IML, concluiu: “quadro médico legal clássico de asfixia mecânica por enforcamento”. Ainda na noite de sábado, o corpo foi enviado ao Hospital Albert Einstein. Estava tudo pronto para mais um sepultamento típico de mortes ocorridas nas dependências das Forças Armadas, durante a ditadura: rápidos e discretos.

Clarice não quis assim. Para que houvesse velório, ela marcou o enterro para a segunda. No domingo, cerca de 600 pessoas foram à cerimônia, entre eles o cardeal Arns e o senador Franco Montoro. “Era a primeira vez que um arcebispo e um senador da República velavam um morto do regime”, diz Gaspari. “Formou-se uma grande frente e, na segunda, todos estavam mobilizados pela morte de Herzog.”

No cemitério israelita do Butantã, os responsáveis pelo funeral apressaram tanto a cerimônia que dona Zora, mãe de Vlado, não chegou a tempo de se despedir do filho, viu apenas quando jogavam terra por cima do caixão. Quatro jornalistas que estavam presos no DOI-CODI foram levados até o local. Konder foi um deles: “Não deixaram a gente se trocar, me levaram com roupas sujas de urina, sangue e fezes. Foi assim que assisti ao enterro de meu amigo.”

“Senhor Deus dos Desgraçados, / Dizei-me Vós, Senhor Deus / Se é mentira, se é verdade, / Tanto horror perante os céus.” Depois de ler o trecho de Navio Negreiro, de Castro Alves, Audálio Dantas fez correr entre os presentes outro verso: “Reunião no sindicato”.

Ação e reação

“Se a tigrada quisera desmantelar o PCB, já o conseguira. Se queria outra coisa, era outra coisa que queria”, afirma Elio Gaspari. Pelo menos uma pessoa achou, assim que Vlado morreu, que era “outra coisa”: o presidente Geisel.

Ele só soube da morte de Herzog no domingo. Na segunda, em visita ao Rio, não tratou do assunto e parecia ter assimilado o golpe. Mas a linha dura queria mais. Na manhã de quarta, dia 29, o general Sylvio Frota, ministro do Exército, ligou para o ministro da Justiça, Armando Falcão. Falcão relata o telefonema em seu livro Tudo a Declarar. “O senador do Paraná, Leite Chaves, disse no Congresso que o suicídio do jornalista Vladimir Herzog não passa de ‘um crime ignominioso’. Estou reunido com o Alto-Comando e ninguém aceita o insulto. Queremos uma reparação imediata.” Era a “outra coisa que queriam”. Queriam atacar o Congresso, provocar cassações e, por tabela, jogar areia no projeto de distensão de Geisel.

Nas ruas de São Paulo, o clima era outro. Ainda na segunda-feira, cerca de 30 mil estudantes da USP, PUC e Fundação Getúlio Vargas entraram em greve. A garotada queria marchar pela cidade, mas aguardava a reunião com os jornalistas. Juntos, aprovaram a realização de um ato religioso pela memória de Vlado na sexta, dia 31. O cardeal Arns tomou a iniciativa: ofereceu a catedral da Sé e disse que estaria lá.

Na quarta-feira, Geisel mandou chamar Frota. Há duas versões parecidas para a conversa dos dois generais. Uma narrada pelo presidente ao seu secretário Heitor Ferreira e relatada por Gaspari em A Ditadura Encurralada.“Vocês escolham lá um presidente e venham me substituir”, teria dito. A outra foi narrada por Frota a Falcão e reproduzida em Tudo a Declarar: “O presidente me disse que se quisessem insistir no caso tratassem de ir arranjando outro para colocar em seu lugar”. A ameaça encostou Frota na parede. O ministro recuou.

Até o fim da semana, os dois lados temeram que o outro reagisse e fosse para a rua. Em Brasília temia-se que os universitários promovessem passeatas. Em São Paulo, o medo era de que o regime proibisse a manifestação. Geisel foi a São Paulo na quinta e se hospedou no Palácio dos Bandeirantes, onde se reuniu com os chefes militares do Estado. Para começo de conversa, perguntou ao general Ednardo sobre o Inquérito Policial Militar a respeito da morte de Herzog. Não fora instalado, porque o ministro Frota determinara que não fosse. Pois seria. Embora não se destinasse a apurar as causas da morte de Vlado, mas “as circunstâncias em que ocorreu o suicídio do jornalista”, a instauração do IPM já era uma derrota para Ednardo, Frota e a turma do porão.

“À noite, o governador promoveu uma festa em homenagem a Geisel. Entre os 1500 convidados estava a bancada oposicionista, até o deputado Alberto Goldman, líder do partido na Assembléia e militante do PCB”, diz Gaspari. Goldman relata a rápida conversa que teve com o presidente em seu livro Caminhos de Luta. “Presidente, o MDB está apreensivo com o que vem acontecendo em São Paulo, quanto ao respeito dos direitos humanos”, disse o deputado. “Não pensem que eu não entendo o significado de suas presenças aqui, neste momento”, respondeu o general.

No dia seguinte, o povo estava na rua e fazia a primeira manifestação contra a ditadura após o AI-5. Um pouco antes da hora do culto, dois secretários do governador ainda procuraram o arcebispo de São Paulo e lhe pediram para cancelar o evento. “Fui informado que existiriam mais de 500 policiais na praça com ordem de atirar ao primeiro grito. Se houvesse protestos, eles metralhariam a população”, lembra dom Paulo. A estratégia dos manifestantes era chegar à praça em pequenos grupos, evitando aglomerações. Cerca de 8 mil pessoas se espalharam pelas escadarias da Sé. As que conseguiram entrar viram o cardeal, o rabino Henry Sobel e mais 20 sacerdotes, entre eles dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife. “Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus para ser fonte de amor”, disse dom Paulo. “Nas minhas dores, ó Senhor, fica ao meu lado”, respondeu a audiência.

Para Elio Gaspari, naquela tarde de 31 de outubro de 1975, a oposição brasileira passou a encarnar a ordem e a decência. “A ditadura, com sua ‘tigrada’ e seu aparato policial, revelara-se um anacronismo que procurava na anarquia um pretexto para a própria reafirmação.”
 

Social Distortion

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Exumação refuta falsa versão de suicídio


Durante mais de 30 anos, os restos mortais da psicóloga Iara Iavelberg ficaram na ala dos sepultados “com desonras” do Cemitério Israelita de São Paulo. O motivo foi que o laudo oficial não era claro sobre a causa de sua morte.

O legista anotou: “Suicídio?” – assim mesmo, com ponto de interrogação. Segundo a versão dos militares da Operação Pajussara (que perseguia Iara e seu companheiro, Carlos Lamarca), ela teria se suicidado com um tiro no peito em Salvador, em 1971, ao se ver cercada pelos agentes do governo. “No judaísmo, o suicídio é um crime tão grave quanto o assassinato”, diz o rabino Henry Sobel. Na época, a família de Iara não teve acesso ao corpo, que foi enterrado num caixão lacrado. Em 2003, após anos de brigas na Justiça contra o cemitério, a família conseguiu encaminhar os restos mortais para a exumação. A análise do legista Daniel Muñoz, da USP, mostrou que a distância do disparo que matou Iara era incompatível com um ato suicida. O jornalista Samuel Iavelberg, irmão da vítima, falou sobre o resultado. O que a exumação significou para a família?

A vitória foi saber a verdade tantos anos depois. É o primeiro indício concreto sobre a maneira como ela morreu. O importante é que a tiramos da área de suicidas. Para lá ela não volta. O que será feito com o corpo? Gostaríamos que ela fosse colocada ao lado de meus pais, como eles pediram, mas, se não houver lugar, ela pode ser enterrada por perto, em terra consagrada. A entidade que dirige o cemitério alega motivos religiosos, mas na verdade não quer que um crime militar seja esclarecido.


A Gota d’água
A morte de Manoel Fiel Filho teve impacto inédito: custou a cabeça de um general

Erasmo Dias, coronel reformado do Exército, viu coisas muito sujas durante a ditadura – e fala delas com uma mórbida naturalidade. Em janeiro de 1976, quando era secretário de Segurança do Estado de São Paulo, teve que ir verificar mais uma morte ocorrida nas celas do DOI-CODI. “Fui lá e levei o Rodrigues comigo. Combinei com ele que íamos ver se era mesmo suicídio. Ele me diria, em uma escala de 1 a 100, se era possível”, relembra Dias, referindo-se ao legista Armando Canges Rodrigues. O médico logo afirmou que a chance de que aquele homem tivesse tirado a própria vida era de apenas 0,1 em 100. “Bem, aí fizemos a autópsia, porque 0,1 era uma chance e precisávamos verificar. E deu suicídio. Foi assim: ele enrolou três lenços, fez um nó, e apertou no pescoço até morrer”, afirma o militar. O laudo oficial sobre a morte do operário Manoel Fiel Filho (na foto), porém, não corresponde ao relato de Dias – na melhor das hipóteses, por falha na memória do velho ex-secretário. Segundo a versão divulgada, o metalúrgico de 49 anos, pai de duas crianças, teria se enforcado com um par de meias de náilon azuis. Na manhã do dia 16 de janeiro, uma sexta-feira, Fiel Filho foi retirado da Metal Arte, onde era chefe de setor de prensas metálicas, e conduzido por agentes armados para sua casa. Eles buscavam exemplares do jornal comunista Voz Operária, do qual o metalúrgico era acusado de ser distribuidor. Não acharam nada e o levaram para o DOI-CODI, sob os protestos da esposa Teresa – a quem foi dito, segundo Carlos Alberto Luppi, autor de Manoel Fiel Filho – Quem Vai Pagar por este Crime?, que seu marido retornaria em breve. Ele foi levado de volta no sábado. Morto. A tragédia teria um grande impacto nos bastidores da ditadura. Enforcar alguém no mesmo lugar em que, 84 dias antes, haviam matado Herzog soava como uma grande provocação à autoridade do presidente. No domingo à noite, quando soube do “suicídio” pelo governador paulista Paulo Egydio Martins, Geisel não conseguiu dormir. Na segunda-feira, o comandante do 2º Exército, Ednardo D’Avila Mello, responsável pelo DOI-CODI, recebeu um telefonema durante uma reunião com seus generais subalternos. Levantou-se, saiu da sala e foi atender. Ao voltar, conforme relata Elio Gaspari em A Ditadura Encurralada, disse: “Fui exonerado”. Era a primeira vez em toda a história brasileira que um general era destituído de seu cargo. Quando D’Avila Mello tentou voltar a presidir a reunião, foi interrompido por Ariel Pacca da Fonseca. O comandante da 2ª Região Militar era seu sucessor imediato e não perdeu tempo em assumir a nova função.
 

Soro

Banido
Banido
Vergonha? Sei lá. Vergonha eu continuo tendo quando vejo as manchetes sobre corrupção e desmandos em todas as esferas dos 3 poderes.

Errar todo mundo erra, mais ainda quando está tentando acertar e tem muito poder nas mãos.

Se o comunismo tivessse avançado, creio que muitos mais teriam perecido.

Questão de ponto de vista e de que lado do fato você está.
 

miamibits

Banido
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Ótimo tópico, parabéns.

Tenho muito interesse nesse tipo de assunto, ditaduras, nazismo, fascismo.

Ao Soro: estando no topo da elite é fácil justificar um estado totalitário.

Eu prefiro uma democracia, mesmo que falha, a um regime ditatorial.

E não há por que temer o "real comunismo", ele sequer foi implantado decentemente em lugar algum. A mesma corrupção que destrói a democracia também destrói o comunismo.
 

apelo79

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Vergonha? Sei lá. Vergonha eu continuo tendo quando vejo as manchetes sobre corrupção e desmandos em todas as esferas dos 3 poderes.

Errar todo mundo erra, mais ainda quando está tentando acertar e tem muito poder nas mãos.

Se o comunismo tivessse avançado, creio que muitos mais teriam perecido.

Questão de ponto de vista e de que lado do fato você está.
"Manchetes sobre corrupção".

Não haviam durante a ditadura devido à não-existência de corrupção ou à proibição de veicular notícias que fossem contra a ditadura?

___________________________

Sinceramente, para apoiar a ditadura, o vivente deve:

1) Ter interesse pessoal (no caso de militares, por exemplo);

ou

2) Desconhecer fatos históricos básicos (achar que não havia tanta ou mais corrupção do que hoje, por exemplo).
 

Soro

Banido
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Democracia não é a melhor invenção. É apenas uma invenção com meros 200 e poucos anos de idade. Permite inclusive que se vote em analfabetos populistas indefinidamente.

Agora por favor, não comecem com essa lavagem cerebral e por favor e não comecem a enfiar palavras na minha boca.

Ninguém aqui ta dizendo que apoia a ditadura. Eu disse isso? Não disse.

Eu disse que compreendo a ditadura, e acho que foi um caminho, e o único grande erro que vejo nela foi não ter sabido aproveitar a grande oportunidade.

Comunismo é algo que não diz nada mesmo pra quem nasceu ontem e ouviu falar de muro caido na Alemanha. O comunismo simplesmente ferrou com milhões, talvez bilhões de pessoas, e não houve comunismo democrático em lugar nenhum.

Defender a democracia e ao mesmo tempo defender o direito de ser comunista é incoerente, porque a História mostrou que as duas coisas não vivem em harmonia.

Eu não digo que a ditadura tenha sido boa para o Brasil, mas foi melhor do que o que isso aqui teria se tornado se caisse na mãos dos comunas.

Hoje estamos governados por boa parte da esquerda daquela época, o que prova que a ditadura não foi dura, pois senão estariam todos mortos ou impossibilitados de voltar para cá.

Fossem eles a tomar o poder teriam expulsado ou matado boa parte da sociedade que eles julgavam burguesa, nos mesmos moldes que aconteceram em outros países, hoje falidos, como Cuba.

Eu vejo o quanto eles se preocupam com o povo, o quanto honestos eles são, e o quanto eles são desapegados do capital.´

Quando a ditadura acabou, quem estava lá pra tomar o poder? Sarney, Tancredo, Montoro, Brizolla, Maluf, Quércia, e esses são alguns poucos entre os mais populares. Uma orda de bandidos e corruptos, alguns até assassinos. Que maravilha.

Não desejo a ditadura para o Brasil, mas não vejo como ela foi realmente ruim como os revanchistas querem convencer. Foi ruim pra quem estava tentando derrubar o regime e tomar o poder.

A ditadura foi boa? Não acho. Teria sido melhor sem ela? Acho que não também. Foi um mal necessário? Acredito que sim.
 

Deultra

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Excelente texto, minha pesquisa é sobre clivagens nos dois partidos da ditadura Arena e MDB.

Vergonha? Sei lá. Vergonha eu continuo tendo quando vejo as manchetes sobre corrupção e desmandos em todas as esferas dos 3 poderes.

Errar todo mundo erra, mais ainda quando está tentando acertar e tem muito poder nas mãos.

Se o comunismo tivessse avançado, creio que muitos mais teriam perecido.

Questão de ponto de vista e de que lado do fato você está.

Vamos lá.

-A expressão ditadura envergonhada se refere não a vergonha do povo, mas do regime. Os militares sempre se referiam a 64 como uma revolução, não um golpe, e ao regime como revolucionário e não ditatorial. Tinham vergonha de admitir o que o regime era. É essa a vergonha.

-Corrupção existe e em grande quantidade em regimes ditatoriais, a diferença é que como a imprensa não é livre, ficamos sem saber. Até por isso a balança pesa que a corrupção é inclusive maior. Foi nessa época que ACM, por exemplo, repassou terras para o empresariado baiano, a preço de banana.

-Não era necessária uma ditadura para segurar os comunistas das guerrilhas, que eram poucos. E Goulart não era comunista, logo depor ele, era igualmente desnecessário para esse fim. Essa foi a justificativa dada pelos militares, não a razão real do golpe. Que eles queriam realizar em 54, mas o suicídio de Vargas abortou e adiou o plano.



Democracia não é a melhor invenção. É apenas uma invenção com meros 200 e poucos anos de idade. Permite inclusive que se vote em analfabetos populistas indefinidamente.

Agora por favor, não comecem com essa lavagem cerebral e por favor e não comecem a enfiar palavras na minha boca.

Ninguém aqui ta dizendo que apoia a ditadura. Eu disse isso? Não disse.

Eu disse que compreendo a ditadura, e acho que foi um caminho, e o único grande erro que vejo nela foi não ter sabido aproveitar a grande oportunidade.

Comunismo é algo que não diz nada mesmo pra quem nasceu ontem e ouviu falar de muro caido na Alemanha. O comunismo simplesmente ferrou com milhões, talvez bilhões de pessoas, e não houve comunismo democrático em lugar nenhum.

Defender a democracia e ao mesmo tempo defender o direito de ser comunista é incoerente, porque a História mostrou que as duas coisas não vivem em harmonia.

Eu não digo que a ditadura tenha sido boa para o Brasil, mas foi melhor do que o que isso aqui teria se tornado se caisse na mãos dos comunas.

Hoje estamos governados por boa parte da esquerda daquela época, o que prova que a ditadura não foi dura, pois senão estariam todos mortos ou impossibilitados de voltar para cá.

Fossem eles a tomar o poder teriam expulsado ou matado boa parte da sociedade que eles julgavam burguesa, nos mesmos moldes que aconteceram em outros países, hoje falidos, como Cuba.

Eu vejo o quanto eles se preocupam com o povo, o quanto honestos eles são, e o quanto eles são desapegados do capital.´

Quando a ditadura acabou, quem estava lá pra tomar o poder? Sarney, Tancredo, Montoro, Brizolla, Maluf, Quércia, e esses são alguns poucos entre os mais populares. Uma orda de bandidos e corruptos, alguns até assassinos. Que maravilha.

Não desejo a ditadura para o Brasil, mas não vejo como ela foi realmente ruim como os revanchistas querem convencer. Foi ruim pra quem estava tentando derrubar o regime e tomar o poder.

A ditadura foi boa? Não acho. Teria sido melhor sem ela? Acho que não também. Foi um mal necessário? Acredito que sim.

-Analfabetos não podem se candidatar a cargos públicos, no Brasil. Se a a lei não é aplicada reclame disso. Já analfabetos poderem votar, e isso sou favorável, pois não deve ser tratado como cidadão de segunda classe, sendo que estar analfabeto é e deve ser um estagio temporário.

-Vc diz que compreende a ditadura, e que foi necessária. Suponho que ache que os assassinatos, tortura, de jornalistas como Herzog, de trabalhadores como Manuel Fiel Filho, tb foram necessários, na sua opinião. Muitos não eram "comunistas" eram apenas contra o regime e seu autoritarismo, e por isso, foram mortos e torturados.

-Comunismo e democracia, bem, depende da democracia que se fala, e depende do comunismo que se fala. Marx, por exemplo, defendia a ditadura do proletariado, que era em essência, um governo regido pela classe proletária. Esse, inclusive segundo Engels, seria similar a Comuna de Paris. Seria, internamente, radicalmente democrático, no sentido que as decisões seriam tomadas por todos os trabalhadores. Não defendo esse tipo de democracia, chamada democracia proletária. Vale dizer que ela não aconteceu na URSS, nem nos outros países do socialismo real. O que houve nesses foi a ditadura do partido comunista, altamente autoritária.

Mas e a social democracia? Ela surgiu no ceio da Internacional Comunista. Mario Soares foi presidente de Portugal, era um democrata, e era socialista. Diversas tendências socialistas são democráticas, e assumiram poder na Europa. Como o citado Mario Soares. Alguns partidos sociais democratas se afastaram das idéias socialistas na área econômica, outros não. Há ainda os libertários de esquerda, que tb não são uniformes, e na Europa são radicalmente democráticos.

Em tempo, sim, ser democrata é defender o direito da pessoa defender o que acredita, inclusive se sua utopia é o comunista. Desde que essa pessoa aceite as regras do jogo da disputa democrática, ela pode participar.

-A luta popular para derrubar a ditadura, no Brasil, teve atuação do PCB e sua atuação foi no sentido de contribuir com o esforço, que acabou vindo de diversos setores da sociedade civil, inclusive com participação de setores da direita, e o objetivo era redemocratizar o país. Deve conhecer a campanha das "Diretas". Membros do PCB integraram a Ala jovem do MDB, e participaram no MDB, defendendo a volta da democracia.

Na Europa o chamado eurocomunismo, defendia abertamente a democracia, e nunca aceitou nem defendeu a ditadura de partido único dos países do socialismo real. George Orwell era socialista democrático, entender isso, é importante até para entender suas obras.

-É como eu digo, a realidade é mais complexa, do que nós gostaríamos que ela fosse, e sua complexidade nos pressiona, ao trabalho de lidar com nuances. Em geral, gostamos de coisas simples que podemos estigmatizar.
 
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Soro

Banido
Banido
Socialismo é uma coisa, comunismo é outra. Os comunistas que quizeram tomar o poder (e não apenas derrubar a ditadura) era comunistas alinhados com o marxismo puro, sem meios termos, ditadura do proletariado, eliminação total da burguesia (valores, propriedades, nomes, pessoas), e etc etc etc.

Seria um novo Brasil, e o golpe (ou revolução) se implantou contra isso. Se perdurou e se tornou ditadura, é porque circunstancias assim o levaram.

Volto a repetir que os assassinados não foram mais vitimas do que as vitimas que eles mesmo causaram, não haviam inocentes e desavisados entre os mortos.

Não concordo com ditadura, não concordo com censura, mas entendo que a ditadura foi consequencia, o golpe necessário, e dos males o menos pior. Entendo também que existe revanchismo, calcado em ideologia ultrapassada e interesse financeiro.

Quais brasileiros estiveram certos? Os de direita ou os de esquerda? Quais foram as vitimas, quais foram os algozes?

Eramos todos brasileiros, defendendo aquilo que achavamos certos. Os mais fortes venceram. Os mais fracos deveriam se orgulhar da luta, e não ficarem com esse eterno mimimi cavando esqueletos e reclamando compensações financeiras.
 

pullchar

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Só como um adendo, nada tão importante comparado com o que já foi escrito

Segundo Dunga, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), a capoeira de rua sofreu repressão e perseguição, considerada atividade subversiva pelo governo militar. Ele lembra que, na década de 70, foi preso pela polícia porque tocava berimbau e atabaque na Praça Sete. “Me levaram para a Polícia Federal, mas esqueceram o berimbau e o atabaque nas minhas mãos. Eu falei para os presos: vamos gingar todo mundo na cadeia e comecei a tocar. Depois fiquei 15 dias na solitária”, recorda.

http://www.overmundo.com.br/overblog/desafios-de-um-capoeirista

Além de líderes políticos, veja também Chac. da Lapa, os negros eram reprimidos e torturados pela prática de sua cultura afro.

Mas não tenho tanta certeza se isso significa tempos piores ou melhores, porque hoje em dia a nossa liberdade perdeu espaço para o narcotráfico, violência, corrupção, má distribuição de renda, etc.
 

Soro

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Ditadura é ditadura, e opressão é o mínimo que se pode esperar quando um regime assim está implantado.

Bom ou ruim não sei dizer se foi para o povão em geral.

Ordem pública é desculpa para a opressão praticada por todos os governos totalitários, sejam eles governos de um lider ou de um partido, como todos os governos comunistas que houveram.

Tem que se levar em conta que na época da ditadura a repressão contra negros era maior porque ainda imperava de forma mais acentuada o preconceito racial. Mas isso não era característica do regime, mas de alguns individuos.

É que gostam de pegar um caso ou outro pra exemplificar todo um período, o que acaba gerando generalizações de todo tipo.

O Brasil poderia estar bem melhor hoje se os militares tivessem usado a chance que tiveram (poder) para modernizar as instituições, mas a cúpula era formada por um bando de burros sem visão de futuro, preocupada apenas em manter o trinomio Tradição-Família-Propriedade.
 

carraro

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Uma das mentiras mais desprezíveis da esquerda brasileira é querer justificar suas badernas revolucionárias como uma resposta ao golpe, quando na verdade já atuavam antes do mesmo, e assim bancarem a de "heróis nacionais em luta pela democracia". É tanto cinismo, mas previsível, afinal, vem dos mesmos que lá por 1994 se oporam ao Real, pregavam o calote da dívida, o rompimento com o FMI, a rejeição à reestruturação dos bancos, às privatizações e seus investimentos; e hoje, se vangloriam em propagandas políticas fédidas na TV da estabilidade da economia, do controle da dívida, e até de empréstimos ao FMI (na verdade insignificantes, puro marketing populista).

Os militares devem ter pensado: "Se é para ter uma ditadura, que seja a nossa". E hoje, quando o "cortina de ferro" caiu , e os horrores apareceram, a gente pode ver que dos males daqueles tempos conturbados, foi o menos pior. Coisa que não se via na época, dada a censura e as mentiras, afinal, por exemplo, o responsável pela defesa da regime maoísta na China - o regime mais genocida da história mundial - era ninguem menos do que o PC do B, esse partido CRIMINOSO que já deveria ter sido fechado a muito tempo. Basta compararmos quem e quantos sofreram na dita-branda brasileira, e nos regimes à qual esses baderneiros representavam, desde o início. Se eles tivessem conseguido tornar esses país mais um satélite da URSS, talvez não teríamos 200~300 terroristas armados mortos, mas 200~300 mil civis inocentes mortos por tentarem escapar do país (como em Cuba, onde a grande maioria dos 115 mil mortos pelo regime foram de pessoas tentando escapar do paraíso), ou quem sabe milhões, como na China, URSS, Camboja, etc. Os perseguidos não seriam militantes armados, guerrilheiros, mas pessoas com uma Bíblia em casa, que frequentam uma igreja, padres, e qualquer um que continue pensando após a lavagem-cerebral do governo.

Os antigos guerrilheiros, terroristas, bandidos e assaltantes de banco, hoje se tornaram mensaleiros, sem contar que forram os bolsos com indenizações milionárias por sua "grande luta humanista na tentativa de implantar um regime igual ao de Cuba, URSS, ou Coréia do Norte" aqui no Brasil, quando eram uns pau-mandados da Internacional Comunista, recebendo ampla ajuda e treinamento de todos esses países, incluindo Coréia do Norte, principalmente do traficante e mico-mandante lá de Cuba.

Ao exército brasileiro, castrado, resta sofrer com essa chantagem emocional ad eternum, e ver, sem poder fazer nada, os Poderes da República serem destruídos, como aconteceu recentemente, quando os deputados se recusaram a cumprir uma decisão judicial, em favor de um companheiro.
 
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aleTM

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Uma das mentiras mais desprezíveis da esquerda brasileira é querer justificar suas badernas revolucionárias como uma resposta ao golpe, quando na verdade já atuavam antes do mesmo, e assim bancarem a de "heróis nacionais em luta pela democracia". É tanto cinismo, mas previsível, afinal, vem dos mesmos que lá por 1994 se oporam ao Real, pregavam o calote da dívida, o rompimento com o FMI, a rejeição à reestruturação dos bancos, às privatizações e seus investimentos; e hoje, se vangloriam em propagandas políticas fédidas na TV da estabilidade da economia, do controle da dívida, e até de empréstimos ao FMI (na verdade insignificantes, puro marketing populista).

Os militares devem ter pensado: "Se é para ter uma ditadura, que seja a nossa". E hoje, quando o "cortina de ferro" caiu , e os horrores apareceram, a gente pode ver que dos males daqueles tempos conturbados, foi o menos pior. Coisa que não se via na época, dada a censura e as mentiras, afinal, por exemplo, o responsável pela defesa da regime maoísta na China - o regime mais genocida da história mundial - era ninguem menos do que o PC do B, esse partido CRIMINOSO que já deveria ter sido fechado a muito tempo. Basta compararmos quem e quantos sofreram na dita-branda brasileira, e nos regimes à qual esses baderneiros representavam, desde o início. Se eles tivessem conseguido tornar esses país mais um satélite da URSS, talvez não teríamos 200~300 terroristas armados mortos, mas 200~300 mil civis inocentes mortos por tentarem escapar do país (como em Cuba, onde a grande maioria dos 115 mil mortos pelo regime foram de pessoas tentando escapar do paraíso), ou quem sabe milhões, como na China, URSS, Camboja, etc. Os perseguidos não seriam militantes armados, guerrilheiros, mas pessoas com uma Bíblia em casa, que frequentam uma igreja, padres, e qualquer um que continue pensando após a lavagem-cerebral do governo.

Os antigos guerrilheiros, terroristas, bandidos e assaltantes de banco, hoje se tornaram mensaleiros, sem contar que forram os bolsos com indenizações milionárias por sua "grande luta humanista na tentativa de implantar um regime igual ao de Cuba, URSS, ou Coréia do Norte" aqui no Brasil, quando eram uns pau-mandados da Internacional Comunista, recebendo ampla ajuda e treinamento de todos esses países, incluindo Coréia do Norte, principalmente do traficante e mico-mandante lá de Cuba.

Ao exército brasileiro, castrado, resta sofrer com essa chantagem emocional ad eternum, e ver, sem poder fazer nada, os Poderes da República serem destruídos, como aconteceu recentemente, quando os deputados se recusaram a cumprir uma decisão judicial, em favor de um companheiro.

??????????????????
 

miamibits

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Banido
É meus caros, eram todos vagabundos criminosos fãs de Pol Pot.

Cada uma que eu tenho que ler, viu...

Volto a repetir que os assassinados não foram mais vitimas do que as vitimas que eles mesmo causaram, não haviam inocentes e desavisados entre os mortos.

Só pérola. Esses caras devem ser bem abastados, só isso justifica esse pensamento tacanho.

Se você é empresário, da elite, é claro que não quer ver o povo, a massa, a maioria no poder.

Para um ter muito, muitos têm que ter pouco, aí é que reside o problema todo.

Na verdade para esse pessoal rico os pobres são pobres porque têm preguiça de trabalhar e estudar.

Viva a plutocracia.
 
F

Flanker

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Em um primeiro momento o golpe de 64 foi um contra-golpe, os comunas ja estavam planejando algo

Depois infelizmente as redeas do governo foram tomadas por uma ala mais conservadora do exercito que emputeçeu de vez e o regime se tornou brutal

Mas este papo de que os assaltantes de padari... digo, guerrilheiros comunistas eram arautos da liberdade, bastioes da democracia, paladinos da justiça... é tudo conversa pra boi dormir, o que estes malucos queriam era fazer disso aqui uma Cuba gigante

E hoje infelizmente as defesas do país estao comprometidas porque as forças armadas ainda sofrem com o revanchismo

Elas estao a mingua, por exemplo, 10 anos de novela para escolher um punhado de caças, um país da importancia geoestrategica como o nosso

enquanto isso o dinheiro dos meus impostos vao pro bolsa-guerrilha, tenho que sustentar viúva de vagabundo, digo guerreiro da liberdade, paladino da justiça, cavaleiro Jedi...

Pros familiares das pessoas mortas pelos comunas vai alguma coisa?

Acho que nao
 

Tiago

rohr
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Meu Tio-Avo era um dos que se encarnavam em "manter a ordem", ou seja, matar quem era considerado ameaça ao nosso pais na epoca da ditadura. Mais exatamente durante a Operaçao Condor....
Coronel (na epoca acredito que era Major) Atila Rohrsetzer, ex-diretor do DCI (divisao central de informaçao), diz a Italia que quer que mandem ele pra Italia pra ser julgado...
 

Savino

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É a direita cristã contra o demonio comunista....

Dificil saber quem é o pior nessa história!
 

Soro

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Eu sempre digo pra pseudo comunistas como você Pacman (pseudo porque é bom ser comunista num país capitalista) que faça o seguinte: arrume as malas e vá viver em Cuba, na Coreia do Norte ou em alguma republiqueta da extinta URSS, que mesmo hoje, com o comunismo praticamente debaixo de pás de cal, ainda sofrem os efeitos dessa época de "ouro" que seus "martires" quizeram implantar aqui nos idos de 64.

Sim, sou empresário, trabalho desde meus 16 anos sem ajuda do governo ou da família, trabalho muito, e já dou demais do que é meu pra esse governo financiar treinamento guerrilheiro do MST e das FARCs.

Como já vi que o assunto aqui vai se dividir entre pseudo-comunas versus capitalistas, pseudo-esquerda versus direita, já deixo bem claro minha posição: a ditadura foi um mal necessário, ou mal nenhum comparada com aquilo que evitou que acontecesse.


Savino: se você não sabe o que é pior nessa história, é porque você não conhece a História. Vai se informar.
 

Soro

Banido
Banido
Meu Tio-Avo era um dos que se encarnavam em "manter a ordem", ou seja, matar quem era considerado ameaça ao nosso pais na epoca da ditadura. Mais exatamente durante a Operaçao Condor....
Coronel (na epoca acredito que era Major) Atila Rohrsetzer, ex-diretor do DCI (divisao central de informaçao), diz a Italia que quer que mandem ele pra Italia pra ser julgado...

Você está julgando seu tio-avô?

O que você faria no lugar dele, com a idade dele, vivendo naquela época, ocupando o mesmo cargo?

De que lado você estaria, quais decisões tomaria? Deixaria de cumprir suas ordens, seria patriótico, mataria em nome do que acredita?

Você já tentou se colocar no lugar desse homem, se colocar numa situação em que um homem de verdade deve decidir entre a vida e a morte de uma pessoa e tudo aquilo em que acredita?

Eu já conheci militares e militares. São seres humanos como eu e você, erram, acertam, formam opiniões, decidem, agem.

Não tem sentido querer julgar à revelia algo que não se faz a menor idéia do que foi. Estamos falando de outra época, de um Brasil completamente diferente do que você vê hoje em dia, de outros valores, outros sonhos, outras referências.

Não queira julgar seu tio-avô, nem pense ser melhor que ele. Não sei se o encara como uma pessoa do bem ou não, mas primeiro, antes de qualquer coisa, quando for falar dele, principalmente se for dar nome completo e função num fórum público da internet, sem autorização de alguém, se coloque no lugar, época e circunstâncias dos acontecimentos que o levam a querer julgar dessa pessoa.

Resumindo: cresça e apareça.
 
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Savino

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Savino: se você não sabe o que é pior nessa história, é porque você não conhece a História. Vai se informar.
Acho que sou muito mais informado neste assunto do que o senhor.
Mas não vou me extender nesse assunto, por que, sinceramente, não tenho mais tempo nem paciencia para discutir com pessoas mimadinhas pelo seu proprio ego.

Fica um abraço.
 

Tiago

rohr
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Você está julgando seu tio-avô?

O que você faria no lugar dele, com a idade dele, vivendo naquela época, ocupando o mesmo cargo?

De que lado você estaria, quais decisões tomaria? Deixaria de cumprir suas ordens, seria patriótico, mataria em nome do que acredita?

Você já tentou se colocar no lugar desse homem, se colocar numa situação em que um homem de verdade deve decidir entre a vida e a morte de uma pessoa e tudo aquilo em que acredita?

Eu já conheci militares e militares. São seres humanos como eu e você, erram, acertam, formam opiniões, decidem, agem.

Não tem sentido querer julgar à revelia algo que não se faz a menor idéia do que foi. Estamos falando de outra época, de um Brasil completamente diferente do que você vê hoje em dia, de outros valores, outros sonhos, outras referências.

Não queira julgar seu tio-avô, nem pense ser melhor que ele. Não sei se o encara como uma pessoa do bem ou não, mas primeiro, antes de qualquer coisa, quando for falar dele, principalmente se for dar nome completo e função num fórum público da internet, sem autorização de alguém, se coloque no lugar, época e circunstâncias dos acontecimentos que o levam a querer julgar dessa pessoa.

Resumindo: cresça e apareça.

O senhor que esta se enganando, eu nunca o julguei e tenho orgulho de ser parente dele, faria o mesmo se estivesse em sua posiçao, serviria ao meu pais acima de tudo. Se houvesse ameaça eu daria conta do recado. Nao sei onde tu leu que eu estava achando ruim o que ele fez ou que eu o julguei, disse o que ele fez e o que a Italia quer fazer, nada alem disso.
O nome dele esta em qualquer site sobre a operaçao Condor meu querido amigo, especialmente porque recentemente a Italia pediu de novo para julgar os envolvidos na operaçao Condor e saiu em todos os jornais do Brasil e outros paises, nao eh segredo, nao estamos mais na ditadura, todos sabem quem eh e quem nao eh... Passei minha vida inteira recebendo ligaçoes em casa de gente procurando ele por ter um sobrenome unico no Brasil, e nunca disse nada, ate porque nao faço ideia de onde esteja.
O senhor gosta de fazer drama e acha que sabe muita coisa, aconselho que antes de soltar tudo que pensa, se informe, um post de 4 linhas como o meu nao te deu informaçao pra falar nem um terço do que tu falou.
Resumindo: Cresça e apareça ...
 

miamibits

Banido
Banido
Eu sempre digo pra pseudo comunistas como você Pacman (pseudo porque é bom ser comunista num país capitalista) que faça o seguinte: arrume as malas e vá viver em Cuba, na Coreia do Norte ou em alguma republiqueta da extinta URSS, que mesmo hoje, com o comunismo praticamente debaixo de pás de cal, ainda sofrem os efeitos dessa época de "ouro" que seus "martires" quizeram implantar aqui nos idos de 64.

Sim, sou empresário, trabalho desde meus 16 anos sem ajuda do governo ou da família, trabalho muito, e já dou demais do que é meu pra esse governo financiar treinamento guerrilheiro do MST e das FARCs.

Como já vi que o assunto aqui vai se dividir entre pseudo-comunas versus capitalistas, pseudo-esquerda versus direita, já deixo bem claro minha posição: a ditadura foi um mal necessário, ou mal nenhum comparada com aquilo que evitou que acontecesse.


Savino: se você não sabe o que é pior nessa história, é porque você não conhece a História. Vai se informar.

Eu não sei de onde você tirou que eu sou comunista.

Existe algum comunista real no mundo? Existem algum democrata real no mundo?

Falo além de teorias políticas, cara. Sabemos que qualquer modelo fracassa por causa da índole humana, do poder, do dinheiro.

O ponto é o cerceamento da liberdade. Enquanto temos FATOS, vocês pró-ditamole têm SUPOSIÇÕES do que ACONTECERIA. Entenda, não sou ingênuo, não aposto que seria melhor ser um satélite da URSS.

Mas isso não aconteceu. O que aconteceu foi um regime ditatorial, com o país sendo um satélite dos EUA em sua caçada contra o demônio comunista.

O país entrou com tudo na cruzada capitalista x comunista entre EUA/aliados x URSS, abraçamos o modelo americano de caça às bruxas.

Não vou falar sobre economia porque nada entendo dela, alguns falam que foi ótimo para o país, outros falam que foi delírio mal-planejado, outros, como você que acha que sabe de tudo, arrotam convicções.

Falo sobre, mais uma vez, cerceamento de liberdade. Houve. Pessoas inocentes foram mortas.

Se você acha que prender, torturar e matar uma pessoa porque ela tem um ideal político é legal, do ponto de vista jurídico e moral, você é um imbecil.

Antes de finalizar, deixo claro que quando falo de ideal político não me refiro a guerrilheiros, em gente que pegou em armas com as mesmas intenções de quem estava do outro lado, alcançar o poder, dominar, sujeitar.

Mais uma coisa: na minha opinião o pessoal do MST e PT são um bando de parasitas da pior espécie. Não conclua que eu defendo esse tipo de gente porque defendo o direito de liberdade irrestrita de qualquer cidadão.

Justificar e ACHAR que a ditadura foi um mal necessário porque SUPOSTAMENTE os comunistas SERIAM muito piores é canalhice.

Pessoas como você, com esse tipo de pensamento, são muito mais perigosas para uma república do que pseudo-comunistas. Você é empresário, tem capital e tem um pensamento reacionário. Na primeira oportunidade você mostra seu lado fascista. :yes:
 

carraro

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Documentário conta história de vítima da violência da guerrilha durante o regime militar.


Pela primeira vez no Cinema Brasileiro, longa-metragem mostra histórias de violência dos 2 lados: da repressão militar e do terrorismo de extrema esquerda.

Reparação é o título do documentário de longa-metragem em High Definition que conta a história de Orlando Lovecchio, vítima de um atentado a bomba praticado pela guerrilha que lutava contra o regime militar no Brasil, em 1968. Orlando perdeu a perna no célebre atentado ao Consulado dos EUA em São Paulo e, ainda hoje, em 2009, luta por justiça: como não é considerado uma vítima da ditadura militar, a aposentadoria que recebe é menor que a do autor do atentado que o vitimou e enterrou para sempre seu sonho de ser piloto de avião. O episódio envolvendo Orlando e seus desdobramentos tem merecido amplo e constante destaque na imprensa.

A partir deste caso, o filme provoca uma reflexão a respeito do período militar, da violência de grupos extremistas ontem e hoje na América Latina, da ditadura cubana que persiste até hoje com o apoio de democratas em todo o continente, além da relação ainda conflituosa existente entre o aparelho repressivo do Estado e os cidadãos comuns.

Com depoimentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do historiador Marco Antonio Villa, do jornalista Demétrio Magnolli, entre outros, Reparação pretende iniciar uma nova discussão sobre o período militar dentro do contexto do Cinema Brasileiro, que até hoje tem falhado por mostrar apenas um lado dos que viveram a época, de uma forma muitas vezes maniqueísta (como se a História pudesse ser resumida a um eterno embate do bem contra o mal)

Em uma abordagem franca e sem amarras partidárias ou ideológicas, Reparação comprova sua total independência ao não ter recorrido às verbas públicas para sua realização.

Uma prova de que o Cinema Brasileiro pode suscitar o debate com qualidade técnica e total independência estética e de pensamento.
 

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