BrT dá a largada para o WiMAX em Porto Alegre
A Brasil Telecom (BrT) esta analisando as propostas recebidas de fornecedores e, ainda este ano, iniciará o projeto-piloto para implantação das redes WiMAX em Porto Alegre, de forma pioneira no Brasil. A tecnologia, que provê serviços de banda larga de alta velocidade será um complemento da ADSL, usada atualmente. A segunda cidade onde este modelo será testado será Curitiba, mas ainda não há uma data estabelecida.
Como vantagem, está o fato de permitir a operadora chegar a localidades onde não é possível através dos tradicionais cabos. O WiMAX se propaga através de antenas semelhantes às estações rádio base (ERBs) da telefonia celular. O diretor regional da operadora, Frederico Alvarez, afirma que a meta principal nesse primeiro momento é avaliar como a tecnologia se comportará tecnicamente. Os preços e velocidades de conexão deverão ser semelhantes aos praticados atualmente.
A BrT possui licenças adquiridas há pouco mais de três anos, quando comprou a empresa Vant. Mas, vai brigar para poder participar do leilão de novas freqüências, adiado no ano passado, e que deverá se concretizar nos primeiros seis meses desse ano. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quer evitar que as concessionárias participem, para dar chances de empresas de menor porte entrarem no mercado de transmissão de dados em alta velocidade. "Não podemos ser proibidos de utilizar uma tecnologia emergente e importante como essa apenas por sermos uma concessionária", defende o diretor de planejamento estratégico da BrT, Ari Joaquim da Silva. O executivo esteve na terça-feira em Porto Alegre participando do I Encontro Brasil Telecom e Profissionais de Comunicação, ciclo de eventos que também será estendido para outros estados no qual a operadora atua.
Silva falou sobre o futuro das telecomunicações e destacou o potencial dos serviços convergentes para o futuro. "O tráfego na rede está mudando e cada vez mais teremos que nos preparar para transporte de conteúdo. Essa é a grande transformação dessa indústria", aposta.
Nesse novo movimento, começam a desaparecer os contornos originais de segmentos como do entretenimento, mídia, operadoras de telefonia e empresas de Tecnologia da Informação (TI). A voz, que no caso da Brasil Telecom representa cerca de 76% das suas receitas, passa a ser um sub-produto, de um modelo bem mais amplo que envolve as comunicações.
Dentro desse cenário, a operadora está intensificando o trabalho para conseguir ofertar serviços que possibilitem ao usuário aproveitar as vantagens de diversos segmentos em um produto convergente. É o caso do Único, que possibilita ao consumidor usar no terminal celular, em sua casa, tanto a rede fixa como a móvel.
A Brasil Telecom possui 8,4 milhões de linhas fixas em serviço e 3,4 milhões móveis. São cerca de 5,2 mil funcionários no Brasil. O Rio Grande do Sul representa 25% da planta e do faturamento, sendo considerada a região mais estratégica.
O setor de telecomunicações no Brasil movimenta R$ 135 bilhões anualmente, 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB). São cerca de R$ 32 bilhões de impostos arrecadados a cada ano e uma força de trabalho direta de 260 mil pessoas. Desde 1998, foram investidos R$ 130 milhões pelas operadoras, sendo R$ 30 milhões em aquisições de licenças em licitações.
Entre os desafios para os próximos anos, Silva destaca o alto custo do capital no Brasil, o que inviabiliza alguns investimentos. Dados apresentados pela operadora revelam que, de 2000 a 2004, o custo de novos investimentos no Brasil foi de 14,7% para uma taxa de retorno de 7,7%. A alta carga tributária - do total da conta paga pelos usuários, 40% são impostos - e as dificuldades regulatórias enfrentadas também são apontadas como um risco para o crescimento nos próximos anos.