Então, mais um conto do espaço - Só um detalhe, todos os personagens são fictícios
O soldado
Sistema Piscis Austral, 11º Batalhão de defesa aeroespacial, estação militar não mapeada - FEDERAÇÃO.
Estava de folga, me preparando para ir passar o final de semana com minha família, aguardando na fila para embarcar no transporte planetário, uma velha Orca que parecia ter a idade de meu avô, mas que reluzia mais que a própria estrela Uriel, a qual nosso sistema orbita, quando chega um grupo de soldados a minha procura e me entregam ordens sigilosas que só serão decriptografadas na sala de briefing, todas as folgas foram revogadas e os pilotos estão sendo todos sendo convocados.
Ainda com a roupa civil, chego na sala e todo o esquadrão já está presente, 16 ao todo, apesar de nosso batalhão ter quatro esquadrões, apenas dois estão operacionais, nestes últimos e conturbados tempos, perdemos valorosos amigos ou suas naves estão fora de combate, e a iminência de uma guerra com o império deixa todos com os nervos a flor da pele, principalmente o comandante, que já esta na sala.
Meu leitor digital se acende e a mensagem decriptografada é,
defesa imediata do sistema GLIESE 868, intensa atividade terrorista no sistema, ação imediata e ofensiva, total eliminação da ameaça, polícia local subjugada, rotas comerciais comprometidas, sistema sob risco de colapso total.
Um frio percorre meu corpo, minha família é de mercadores, minha esposa e filho pilotam a Type 6 que era de meu avô, sua rota passa por Gliese e não há nada que eu possa fazer para avisá-los.
Mal escuto o que o comando fala, parece que os minutos são décadas, estou em agonia e não posso deixar transparecer para não comprometer a missão e meus companheiros, me concentro a tempo de ouvir que minha Wing será a Ases e escoltarei com minha Vulture a Phyton lanceira do próprio comandante, chamado capitão de ferro, juntamente com duas Vipers de assalto que farão o primeiro combate.
Já na doca, confiro os últimos ajustes da nave, meu loudout é extremo e estou preparado para sobreviver no espaço pois é assim que se luta pilotando a abutre, a escassez de energia é diretamente proporcional ao poder de fogo, é no extremo da batalha que nos sentimos a vontade e fervo por dentro, temendo por minha família. Com a ordem de decolar, sou encaminhado para a plataforma de lançamento, os trilhos são ruidosos, o rangido parece o lamento daqueles que estão perdidos sob ataque, indefesos... não consigo parar de pensar , preciso me concentrar pois de nós suas vidas dependem, respiro, e a serenidade vem ao som do canto entoado por meus companheiros, pelo rádio enquanto nos alinhamos para o salto, começam a bradar o antigo hino do aviador, cavaleiros do século do aço, com um brado escuto "os filhos altivos dos ares ao vôo alçar, sobre campos, cidades e mares às nuvens e céus enfrentar, D'Astro-Rei desfaiamos nos cimos, bandeirantes audazes do azul, às estrelas da noite subimos, para orar ao Cruzeiro do Sul, CONTATO AMIGOS, ao vento sobranceiros Lancemos o roncar da hélice a girar! "- three, two, One - Engage...
No espaço em dobra à frente, vejo o rosto de meus familiares no lugar de sistemas e riscos, hoje, mais do que nunca, tenho um motivo para lutar.
Chegamos em GLIESE juntos, 4 wings full com ordem de ataque e imediatamente o radar é invadido por pontos roxos, a leitura não erra, hostis estão atacando no sistema, podemos identificar várias naves, de todas as facções, piratas, chineses e assassinos do império, estão matando à todos! Assumimos formação ao mesmo tempo que uma wing salta do espaço desconhecido, parece que estavam nos esperando, manobro a tempo de escapar da interdição, mas não uma das vipers, o rádio está a mil, nave lock alinhado e descemos juntos, no painel de contato identifico três naves, uma courier, uma vulture negra e uma imperial Clipper vermelha, todos piratas, malditos vermes, a vulture e a courier disparam para cima do capitão, seus flares estão ativos e as torres de defesa já estão disparando, foco na vulture quando mais uma imperial clipper inimiga, esta do império, se junta ao combate.
Consigo retirar a vulture, a maldita é forte, meus alas de viper se juntam a mim e conseguimos baixar seus escudos, a forçando a evadir cuspindo flare, retornamos para o capitão, que já esta sob fogo pesado, as duas clippers estão com as torres bean fixas na phyton do comandante, disparo dois plasmas que fazem com que a Clipper vermelha pirata se afaste, dando um pouco de fôlego para nosso líder, então sou assolado por uma saraivada de laser, a courier vem em cobertura a clipper que já manobra de volta queimando shield cell, o dano térmico é pouco, mas constante, preciso me livrar dele e disparo o bean laser fixo nele, derretendo o seu escudo em uma rápida virada, a courier se afasta rodeada pelos flares, os três tiros de plasma não a atigiram, é muito pequena e já começa a se afastar quando as duas vipers iniciam a perguição, me volto para o comandante e sou assolado por uma bola de plasma que cobre toda minha nave, quase destruindo meu escudo, a maldita vulture negra retornou, ativo os shield cell que estavam dormentes e, enquanto me recupero, sou novamente atingido por outro tiro de plasma e laser, a clipper que estava em fuga se volta para mim, com o impacto, perco o gerador de escudo, juntamente com o último anel de energia deste, sem escudo, inicio a manobra evasiva quando uma bola de fogo ilumina o espaço próximo, o comandante destruiu uma das clippers e vem em minha direção descarregando tudo o que tem no pirata vermelho, que volta seu ataque para o nosso líder. Estou em desvantagem, não consigo me livrar da vulture que retornou, tento rodear a phyton, seu hull já está sendo atingido, com um disparo , derrubo os escudos da clipper, minha blindagem já esta a 50%, não consigo mais sustentar o combate quando a minha frente, quatro torpedos passam e atingem a clipper, a destruindo completamente, as duas vipers retornam e já estão em cima da vulture, o comandante também se vira para ela e antes que possa ser destruído, salta para o espaço próximo.
O capitão nos chama para a formação, sem escudo, me ordena que pouse em Bacon Port para reparar os módulos avariados e para rearmar, enquanto a wing alinha para novamente entrar em combate.
Sigo minhas ordens, lock na estação e vou para o supercruiser, das 4 wings que chegaram no sistema só consigo identificar três no comm panel, vários são os sinais de high cruiser, estamos limpando o sistema, ao custo da vida de meus companheiros, mas ser soldado é isso, que pilotem pelas miríades infinitas do céu do senhor...
Na aproximação sou interceptado, a vulture negra de novo, procuro o vetor de fuga mas a proximidade com o planeta desequilibra minha nave e acabo sendo arrancado do supercruiser, me volto para o combate e outro ponto inimigo surge, a courier sobrevivera, e se junta contra. Escapo de dois tiros de plasma, se um me atigir a nave não suportará, força máxima no armamento, consigo atingir a courier que fica a deriva, o plasma foi certeiro no motor e a nave para, minha preocupação é a vulture, hull a 40%, peço reforços e não obtenho resposta, mais um disparo e minha nave desliga, os sistemas estão sobrecarregados e fico a deriva, me viro para o planeta, tento reiniciar e a única resposta que tenho é do suporte de vida e sua contagem, a luz do painel pisca com a proximidade, dois alvos, a vulture e a courier, muito avariada, estão a minha frente, faróis acesos, uma atitude típica dos piratas, parecem que estão brincando com a presa, só aguardo o golpe final, quando, uma forte explosão seguido de um impacto na vulture os tiram da minha frente, demoro a focar no que aconteceu, penso que meus camaradas finalemnte chegaram, mas o que vejo é o antigo escudo de minha família estampado na Type 6, devem ter captado meu pedido de socorro e atropelaram a courier batendo também na vulture, não ouço nada, meu comunicador esta inoperante, reinicio a nave e nada, a cena do pequeno cargueiro contra a vulture é inesperada e, passado o elemento surpresa, o resultado deste embate me desespera, vejo o escudo desaparecer juntamente com metade do hull, o pirata é impiedoso, então vejo os flares, e, em uma manobra evasiva, vibro ao ver a T6 partir para o espaço próximo enquanto outros 8 sinais surgem em meu radar, meus camaradas chegaram e a vulture já esta em fuga, sendo perseguida por quatro cobras, à frente, a explosão, menos um pirata para infernizar...
A Phyton capitânia se aproxima, vejos os drones de reparo se aproximando, bem como mais um sinal, o pequeno cargueiro esta de volta, e se aproxima, na cabine, meu filho acena e pisca os faróis e uma euforia toma conta de mim, toda a apreensão e medo transformam-se em orgulho, bom garoto, teve a quem puxar...