Um causo do espaço, este ilustrado.
Estava eu em Ross 209, fazendo as piratarias de sempre quando me deparo no sistema com um sujeito chamado CMR P.V.P, putz, sangue nos óio de imediato bora pra cima do fela do nome abusado, ele de Imperial Clipper eu de Phyton.
Pois bem, o pau come feio, a briga dura bem uns dez minutos com ele em fuga após o embate, preparo para saltar atrás e caçar com toda raiva (mesmo sabendo que ele ia fugir fácil de novo) e me deparo com a seguinte frase:
Mas como é possível, todas as armas estão recolhidas, não tenho fuel scoop e não baixei o cargo...
Vou checar o problema e me deparo com o cargo hatch danificado durante a batalha, no frenesi do combate, por algumas vezes minha nave chegou até a 140º e recebi algumas mensagens de dano por superaquecimento, nada fora do normal, a não ser o cargo, que foi muito danificado ficando com 19% de integridade apenas
Bom não há de ser nada, bora dar um boot na nave e tudo se resolverá.
Três, quatro, cinco vezes e nada, a sequência de reparos não é suficiente para resolver o problema. Visto o traje espacial para ambiente externo e inóspito e vou verificar "in loco" os danos sofridos e me deparo com a cena abaixo:
O cargo hatch ficou aberto e não baixou a rampa, pior, nenhum aviso no painel identificou o problema, os circuitos queimaram...
Miro a estação mais próxima, talvez eu consiga em super velocidade chegar em segurança, o computador me informa que demorarei 13 dias e 6 horas para chegar...
Apago todas as luzes da cabine e começo a fitar o horizonte, penso no calor da batalha e o doce gosto da vitória agora tem o sabor amargo do fel, de que vale uma vitória dessas? como posso celebrar estando preso no limbo gelado do espaço, solitário, derrotado por uma porta aberta que me impede de saltar...
Após mais um longo período, fitando o nada, tomo a única atitude que me restou, com as mãos frias, porém firmes, digito o código de segurança e ativo a auto destruição, um processo que após iniciado não tem volta, os mecanismos de segurança do reator são desativados e ele superaquece até entrar em colpaso e explodir, consumindo em segundos todo o oxigênio, restando apenas alguns poucos destroços, irreconhecíveis e esquecidos na imensidão do espaço.
Acompanho o início da contagem com o olhar sereno, é isso, ou a lenta e longa danação na cripta com motor que se tornara a Mão de Gancho.
Os segundos finais são os mais demorados, cada um se parece com uma fração da eternidade, após o término um último momento de contemplação
Então, antes mesmo do último suspiro, vejo a luz da criação, o big bang do início de tudo, só que no fim, sem voltar ao pó, vaporizado para eternidade.
FIM