Soro, vou continuar teu papo porque tocou num ponto interessante, mesmo que você suma agora
Você comentou que tudo é subjetivo, e é aí que fica a graça da coisa. Mesmo o conceito de "objetivo" é algo subjetivo. A diferença é que é algo que passa o mais longe possível de interpretações pessoais, tão longe que podemos considerar para fins práticos que não é passível de interpretações pessoais. É como uma conclusão comum a que chegariam todas as pessoas, ao observar determinada coisa e usar a lógica e a razão para formar essa conclusão.
Lógica e razão por serem, novamente pra fins práticos, objetivos, sem interferências interpretativas pessoais. Diferentemente da fé ou crença.
Podemos considerar isso como a ferramente "ciência" (seria na verdade a ciência como isso...), que não é uma coisa absolutamente objetiva, mas é o mais longe possível de interpretações pessoais, e por isso praticamente objetiva.
O que eu quero dizer com isso é que esse conceito de objetividade que criamos existe justamente para separar algumas coisas da interpretação pessoal, tornando-as o mais livre de influências pessoais quanto for possível, e consequentemente mantendo sua integridade original. A vantagem de se ter coisas assim, objetivas, é que essas coisas podem ser consideradas como conhecimento puro (para fins práticos, novamente), e nossas conclusões quando tomadas levando em conta esse tipo de conhecimento são (bem) mais próximas da realidade do que quando utilizamos conhecimento poluído pela imaginação, interesses, má-interpretação etc.
Além disso, com esse conceito de objetividade em mente, podemos filtrar as informações que recebemos, colocando de lado as poluídas que vão contra as limpas. Claro, as limpas não são absolutas, não são "verdades reveladas ao mortais", são apenas (bem) mais confiáveis do que as informações carregadas de interpretação pessoal, porque essa interpretação se dá por fatores emocionais principalmente, e sabemos quão instável os sentimentos deixam uma pessoa. Mas, como eu dizia, uma informação limpa não é necessariamente absoluta ou verdadeira, ao contrário, pode e deve ser contestada e confrontada com outras informações, para se formar um conhecimento mais completo.
Para concluir, eu nunca encontrei informações praticamente objetivas que me levassem a conclusões que pintem um Deus inteligente por trás de tudo. Pelo contrário, todas as informações que eu encontrei até hoje que me levariam a essas conclusões são carregadas, e muito, de influências emocionais e interpretações pessoais, e geralmente vão contra conhecimentos prévios objetivos. Eu poderia abrir mão da objetividade e me segurar no segundo tipo de informação? Sim. Mas prefiro a objetividade, obrigado.
A "vantagem" das informações subjetivas é que elas podem voar para qualquer lugar, e assim podem tapar qualquer buraco que exista no conhecimento do homem. Porém, pelo menos na minha opinião, não vejo vantagem em uma tampa não-sólida sobre um buraco propriamente dito. Aliás, vendo que o buraco está lá, a chance de cair nele é menor.
Não teria problema em acreditar em um Deus inteligente, se visse alguma evidência (ou informação objetiva que comprove sua existência) dele ou se ele fosse uma explicação boa e objetiva. Como não achei nenhuma evidência dele, e todas as definições dele que já ouvi "complicam" mais do que "explicam" de fato, e como tudo que já ouvi falar sobre ele se baseia em desespero, esperança, sentimentos em geral e as famosas "lacunas", não tenho motivos sólidos pra acreditar nele. Não me aguento e vou dar um exemplo: eu aprendi na escola sobre os átomos, e me falavam com uma confiança dessas coisinhas que ninguém nunca tinha visto nem pego na mão, e falavam com tantos detalhes que eu achava que era tudo balela, tudo uma tentativa absurda de explicar alguma coisa que ninguém sabia nem tinha como saber. Eu duvidava disso tudo. Aí eu via a TV funcionando, e via os cabos de eletricidade na rua e mais um monte de aplicações que só podiam dar certo se esse papo de "elétrons", "níveis" e tal fosse verdadeiro. E comecei a dar crédito pra esse papo à medida que eu encontrava evidências pra essa história maluca.
A diferença entre o papo de Deus e o papo dos átomos é que o primeiro não "funciona", podemos dizer. Bom, quem acredita e acha que funciona, use o bom senso pra comparar o que comprova a existência de átomos com o que comprova a de Deus, antes de aparecer aqui falando que eu falo do que não sei.